Uma notícia sensacionalista pode causar o efeito inverso muitas vezes. Estamos vivendo uma fase que cada pessoa pode distribuir conteúdo sem qualquer fundamento. Falando em comunicação e nutrição, vemos um cenário ainda mais grave. Hoje muitas pessoas, sem base técnica e científica acredita ser “nutricionista”. Além disso, há as famosas dietas da moda.

A nutrição nos últimos anos teve uma grande evolução, mas também temos profissionais que estacionaram no tempo. Somando a esse cenário, temos a mídia, que gosta de provocar discussões muitas vezes de forma irresponsável.

Essa semana aconteceu um caso sensacionalista, colocando de forma sem fundamentação, a morte de uma criança por falta de ingestão de glúten. E se uma pessoa leiga, agora, quiser introduzir glúten nos primeiros anos de vida, acreditando que isso salvaria sua criança? Como um veículo como o Yahoo poderia soltar uma notícia assim? Como é a repercussão disso e o impacto na real nas pessoas? Como, além de ajudar a entender o problema, podemos atrapalhar?

Mas essa notícia nos gerou uma série de questões que precisamos discutir de forma aberta e responsável. Essas foram algumas pautas que levantamos junto ao departamento de nutrição e ao departamento de comunicação da E4.

  • Qual o impacto da notícia sensacionalista na população?
    O que a ciência diz sobre estes temas? Quais são os estudos realizados para que a televisão, revista, jornal, blogueira e profissional falem sobre o assunto? São questionamentos que pais e cuidadores devem ter quando recebem informações sobre alimentação de seus bebês e crianças, bem como qualquer pessoa que tem interesse em continuar disseminando a informação.
  • Nutrição e comunicação, como fazer de forma responsável?
    A Nutrição e a Comunicação devem caminhar juntas. É fundamental comunicar de forma qualificada, baseados em conteúdos atualizados e sempre apoiados no universo científico. É uma maneira responsável de desenvolver conteúdos com segurança, para não oferecer informações enganosas e distorcidas à população.
  • Aleitamento Materno.
    Estabelecer o elo mãe e filho no início da vida é muito importante tanto para o desenvolvimento do bebê, quanto para a mãe. A construção do vínculo se inicia durante o aleitamento materno. Porém, amamentar tem outra função essencial que é de nutrir. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o leite da mãe é a principal fonte de nutrientes para os bebês com até seis meses de vida e deve ser o único alimento durante esse período, pois é considerado suficiente para suprir suas necessidades nutricionais, sem precisar ofertar até mesmo água ou chás.
  • Como é a introdução alimentar na infância?
    É necessário que os pais e cuidadores do bebê tenham paciência e consciência da importância desta nova fase da vida do bebê, considerado um período extremamente delicado, onde será apresentado a novas texturas, temperaturas e sabores. A transição do aleitamento materno exclusivo para a introdução complementar dos alimentos é caracterizada pela diminuição na porcentagem de gordura da alimentação, aumento de carboidrato, proteína e consequentemente por diversas adaptações no metabolismo energético o que resulta na ativação de diferentes rotas metabólicas do bebê, porém antes de introduzir novos alimentos em sua rotina é necessário ser pesquisado a história pessoal e familiar de reações alérgicas pelo médico e/ou nutricionista.
  • Glúten é Nutriente?
    Não. É uma proteína extraída e encontrada na maioria dos cereais após a eliminação do amido, especialmente no trigo, na aveia, na cevada, no centeio e em seus derivados. Trata-se de uma massa viscosa e elástica, fortemente associada com predisposição genética e desequilíbrios nutricionais que pode desencadear inúmeros sintomas de magnitudes diferenciadas, mediados tanto por mecanismos imunológicos quanto os não imunológicos.
  • Mitos e verdades da indústria.
    Ainda hoje a mídia demonstra um largo interesse em abordar sobre os temas como amamentação, aleitamento materno exclusivo e introdução alimentar, onde se é possível ver discussões em diversos veículos. O que dá espaço para surgirem mitos, além de interesses de marcas que estão bem distantes da preocupação com a saúde das crianças.
  • Por que a indústria do glúten depende tanto da importação?
    O trigo é o cereal que mais sofreu modificações genéticas nos últimos 50 anos. Podemos dizer, que hoje, o trigo moderno é um alimento desenvolvido para atender objetivos específicos da fabricação de alimentos, com foco em sua produtividade e na industrialização dos produtos. Talvez, por esse motivo, o mercado de glúten dependa tanto da sua importação pelo Brasil. Entre agosto de 2016 e março de 2017, a importação de trigo pelo Brasil, teve um crescimento de 46%, somando 5,16 milhões de toneladas. Hoje, 80% do trigo consumido venha de fora do país.
  • Por que estamos adicionando tanto glúten às farinhas? Esse é o caminho?
    A força do glúten (valor W) está relacionada com a quantidade de proteínas (gliadina e glutenina) presentes na farinha. Uma farinha forte absorve mais água e permite massas com hidratação maior, mais resistente e que tendem a crescer mais.

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