Nossa percepção de mundo é mensurada a partir de nossas próprias experiências pessoais e isso acontece desde que o mundo é mundo. Mesmo com produtos e marcas, nosso avós já tinham lá suas preferências e faziam propaganda de suas qualidades.

Nada mudou em relação à forma como as pessoas se relacionam e promovem suas escolhas, seja ela um produto, uma característica de personalidade ou uma ideia de qualquer sobre o mundo. Também podemos analisar tais manifestações no plano da segmentação – formação de grupos com interesses, preferências ou necessidades comuns.

Mesmo num tempo em que não existiam as redes sociais na internet, algumas marcas se consolidaram rapidamente ou foram expurgadas do mercado por conta do tradicional boca a boca.

O ser humano de hoje é o mesmo de ontem, o que mudou foi a velocidade do tempo, significativamente acelerada em decorrência da sofisticação dos sistema de transporte e, sobretudo, das ferramentas disponíveis para a interação por meio do universo digital. Hoje, uma satisfação ou insatisfação pessoal alcança milhões de pessoas segundos após a aquisição de um produto ou serviço pelo consumidor, e isso se dá por conta das redes sociais na internet. Assim, pode-se firmar, com convicção, que o sujeito da ação de hoje é o mesmo de ontem, o que muda são os meios e formas de ele se relacionar.

No tempo em que vivemos, invadido pelas novas tecnologias da informação, influenciamos e somos influenciados 24 horas por dia, e aqueles com quem compartilhamos nosso cotidiano são os melhores referenciais para a nossa tomada de decisões, assim como também somos referência.

As teorias econômicas são muito ortodoxas e ideológicas ao cavarem que o comportamento do sujeito contemporâneo é moldado pela nova ordem do “consumo sem juízo”, e que o descarte, consubstanciado na tese da obsolescência programada é sistemático para uma sociedade vulnerável do ponto de vista da formação de opinião.

De acordo com Gustavo Negrini, diretor da agência de publicidades E4, os defensores de marca são definidos pelo marketing como consumidores que, além de estarem satisfeitos com o produto ou serviço, estão engajados com a marca. “O consumidor defende a marca perante outras, enfatiza suas qualidades e potencializa os defeitos dos concorrentes. Ele acredita que a marca faz a diferença em sua vida e se propõe a disseminar essa sua preferência em seu meio social”, diz Gustavo.

Um defensor de marca é um consumidor socialmente ativo e entende sua importância como referencial. Atualmente, com novos aplicativos para celulares, esse grupo cresce significativamente, assim como os produtos associados à nova dinâmica comportamental.

Gustavo destaca que esses são clientes que toda marca sonha ter, que existe uma ligação emocional entre cliente e marca em algum nível, mas acrescenta que para atrair esse cliente, a empresa deve criar ações de engajamento. “A marca deve gerar campanhas com ideais como transparência na produção, na qualidade, assumir possível erros, atendimento humanizado, campanhas de reciclagem, coleta de óleo, ecobags, eventos esportivos. Para mim não existe mágica. Ou você tem um ótimo produto, serviço e comunicação transparente ou não terá um consumidor engajado. Adotar uma prática que represente a diferença para consumidores, colaboradores e sociedade pode significar o sucesso da empresa e dos produtos que oferece”, diz Gusavo.

Hoje, temos diversos produtores e vendedores para um mesmo artigo ou substituto, assim, transformar um consumidor em defensor de marca não é coisa fácil. Tratar o assunto apenas no âmbito da promoção do produto pode resultar negativo. O marketing deve ser pensado a partir do conceito da comunicação integrada, em que empresa, colaborador, ofertas e consumidor devem ser levados em conta simultaneamente.

A partir desse pressuposto podemos considerar o cidadão do mundo contemporâneo muito mais incisivo e com ferramentas para que seu protagonismo altere significativamente o comportamento de seu meio social. Atrair esse consumidor/parceiro, como diz Gustavo Negrini, pode representar a diferença para a sustentabilidade de um negócio. “Um produto ou serviço deve estar associado a uma ideia, um conceito. Temos uma sociedade mais crítica, e isso se traduz no consumo de produtos de qualidade e engajados ideologicamente, o que pode representar resultados surpreendentes”, conclui Gustavo.

Desse modo, entender a responsabilidade social de uma empresa apenas a partir da geração de empregos é coisa do passado. O consumidor quer saber se uma empresa tem preocupação social no âmbito da efetiva realização de sua filosofia. O consumidor quer o meio ambiente limpo, colaboradores integrados, capacitados, reconhecidos e um produto honestamente comunicado.

Quem já experimentou sabe que o custo x benefício pode surpreender positivamente.

Fonte: Revista Expo Brasil Feiras

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