No dia 21 de maio aconteceu o evento do ILSI – International Life Sciences Institute sobre atualização científica em Food Safety para atestar a segurança do uso de edulcorantes. O ILSI é uma organização mundial sem fins lucrativos, responsável por promover a saúde e o bem-estar das pessoas e a proteção do meio ambiente, através da união entre ciência, tecnologia industrial e governo. No Brasil, atua há 28 anos unindo esforços de cientistas nas áreas de Nutrição, Biotecnologia e Avaliação do Risco.

Com a presença de especialistas internacionais, entre eles Dr. Richard Mattes, Dra. Susana Socolovsky e Dr. Ashley Roberts, a reunião científica foi baseada em uma atualização de evidências a respeito da confiabilidade no consumo de produtos que contenham edulcorantes não nutritivos.

Os adoçantes não nutritivos estão constantemente presentes na vida cotidiana da população atualmente, em uma variedade de produtos dietéticos. Dos mais estudados e utilizados na indústria, seis agentes não calóricos foram considerados seguros pelo Food and Drug Administration, sendo eles aspartame, sacarina, sucralose, neotame, acessulfame-K e estévia. Mais recentemente, dois entraram para a lista: extrato da fruta Swingle e advantame. Os poliois são uma classe de edulcorantes que apresentam valor calórico, exceto o eritritol, e que também se encontram em grande crescimento na rotina da população.

Todo o conteúdo abordado nas palestras confirmou que a maioria dos estudos a respeito do uso e segurança de edulcorantes em humanos são falhos ou não apresentam resultados totalmente confiáveis, seja pela metodologia insuficiente, experimentos usando blend de adoçantes que geram controvérsias nos resultados, ou por falta de acompanhamento de dieta e estilo de vida de participantes. Os trabalhos apontados nas aulas que podem ser usados como referência mostraram segurança do uso em dosagens recomendadas pela IDA – Ingestão diária Aceitável, desde que seu consumo seja atrelado a dietas equilibradas e sem extremismos nutricionais. A sucralose, por exemplo, é um adoçante sintético que foi vinculado a riscos potenciais à saúde na mídia em geral, mas que não apresenta respaldo suficiente e fidedigno que comprove essa associação.

Além disso, o Dr. Ashley Roberts do Intertek levantou evidências e uma discussão a respeito dos níveis do uso atual de edulcorantes e o impacto na microbiota intestinal, também comprovando que não há trabalhos suficientes e totalmente esclarecidos sobre o assunto.

Conclui-se, portanto, que uma conduta nutricional assertiva deve ser baseada em um conjunto de análises de estudos científicos com metodologias e dados confiáveis, associadamente a um número significativo de estudos que comprovem o mesmo desfecho. A orientação do paciente não deve ser baseada em apenas um ou dois trabalhos na literatura!

Por fim, o evento finalizou com a Dra. Livia Emi Inumaru, membro do comitê técnico da ANVISA, que abordou sobre o cenário regulatório dos edulcorantes no Brasil e como o país avança na adequação de rotulagem e pesquisas na área.

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